O filme de Disney/Tim Burton cria a terceira “cara” da mais famosa de todas as personagens da literatura infantil: Alice que, desde sua criação, é referência na literatura infantil. Alice que tanto no país das Maravilhas quanto no mundo do espelho é referência quando queremos falar em criatividade e sinônimo das viagens que pode fazer a imaginação infantil pelas imagens construídas por Lewis Carrol. O filme apresenta uma Alice mais adulta, uma adolescente, em contraste com a criança instigante do livro e também tão amadurecida quanto à tecnologia que a apresenta.
A série já iniciada aqui no site sobre grandes ilustradores apresentando a vida e obra de Ângelo Agostini, trás agora a grande criatura das ilustrações infantis e de humor com trabalho de John Tenniel, faz parte dos conteúdos apresentados para a disciplina de Desenho e Criação de personagem para o Curso de Design da UFSC.
Como a disciplina é sobre desenhos e ilustrações, claro que tendo por pano de fundo todo o mecanismo da criação de uma personagem, a idéia é analisar os trabalhos estabelecendo um paralelo, entre três fases do tratamento (tratamento no sentido de finalização de um desenho até o seu acabamento, computadorizado ou não) das imagens:
1ª fase – As ilustrações clássicas de John Tenniel digitalizadas do livro Alice, edição comentada de Jorge Zahar Editor. Onde como o ilustrador pioneiro criou os traços clássicos e tradicionais de Alice que, de uma maneira ou de outra, existem até hoje.
2ª fase – As ilustrações idealizadas de Disney, com uma Alice de proporções e estrutura infantil não tão realísticas quanto a original, mas muito plástica.
3ª fase – Na animação computadorizada de Disney/Tim Burton mesclando figuras humanas com computação gráfica, com certeza o sonho infantil do século XXI, difícil de imaginar dois séculos atrás, quando Alice nascia.
Começando de trás pra frente.
Vejam o trailer e percebam o quanto nossos sonhos infantis ainda podem viajar seguindo imagens computadorizadas.
No filme de Tim Burton de Alice no País das Maravilhas a computação gráfica nos deixa um uma incrível sensação de quero mais e que 2010 chegue logo. A manipulação de imagens é o desenho, a discussão que preocupa o jornalismo em tratar limites entre imagens tratadas e manipuladas aqui é um apoio à ilustração infantil. Fotografias são transformadas em imagens extremamente realistas, ao ponto de desaparecer o limite entre um e outro. Deixa um recado aos jovens ilustradores das atuais gerações que abrir sua prancheta (e cabeça) para novas técnicas é fundamental para a construção de seu trabalho de maneira sólida e consistente. Vejam o trailer e percebam o quanto nossos sonhos infantis ainda podem viajar seguindo imagens computadorizadas.
Na imagem abaixo se percebe de como as proporções fotográficas e cores foram alteradas através de computadores, provavelmente programas como o Photoshop ou equivalentes.
As imagens de Disney e nossos sonhos. Nas ilustrações de Disney residem a Alice da nossa infância, e ainda a infância das crianças de hoje. A estrutura é clássica e o desenho de humor com uma proporção estereotipada, oscilando entre a caricatura e a proporções canônicas onde o desenho é muito agradável, estilo que veio a nortear muitos ilustradores de várias escolas, só sendo substituído na década de 1970 com um novo padrão de desenhos infantis e de humor.
Percebe-se, comparando lado a lado, de como a ilustração de John Tenniel é séria, plástica, e de como o trabalho dos estúdios Disney é mais comercial e de uma linha mais estilizada de desenho.Os dois coelhos, o caricaturado de Walt Disney e o realista humanizado de Tenniel já se percebem conceitos bem diferentes de tratamento com a diferença de quase um século entre eles.
O ilustrador insubstituível. As ilustrações de Tenniel são clássicas e se observarem verão que Alice não é uma “bonequinha”, é sim uma menina com as proporções de uma criança normal. O ilustrador ainda não tem o conceito que se arraigou nos desenhistas a partir da década de 1970 com a popular estrutura de “três cabeças de altura”.
Curiosamente, a história original se assemelha a versão computadorizada de Tim Burton, onde o contraste realista com as imagens idealizadas dos sonhos de Lewis Carrol são mais fortes. A Alice real de Tenniel é tímida diante das imagens criadas para o Coelho, o Chapeleiro maluco, Humpty Dumpty ou mesmo a Rainha. Não são ilustrações técnicas, são plásticas, como se cada uma fosse para ter como destino um quadro.